OURO PRETO
Patrimômio da Humanidade, não é uma cidade, é um monumento, um museu a céu aberto.
Palco da Inconfidência Mineira, um dos principais movimentos da Indepedência do Brasil, hoje ainda transpira essa atmosfera do período colonial brasileiro. Nas ladeiras de calçamento em pedra, no casario barroco, nas igrejas e museus, com obras-primas de Athayde e Aleijadinho. Um verdadeiro santuário a céu aberto.
História
Em 1698 (século XVII), o Bandeirante paulista Antonio Dias de Oliveira e sua comitiva, acharam ouro nos córregos da região do Itacolomi*, hoje conhecido como "Pico do Itacolomi" (um maciço de pedra, chamado pelos índios de Itacurumin (Ita = pedra e Curumin = menina - Pedra Menina),
A partir daí, aumenta o número de bandeiras que se dirigem à região em busca do eldorado (como era chamada a região).
O metal era abundante, encontrado no leito e às margens dos riachos e rios e nas encostas dos morros.
Nasce pequenos arraiais, com suas capelinhas, em diversos pontos da região, destacando os arraiais de: Antônio Dias, do Padre Faria, do Morro de São Sebastião, do Passa Dez, do Caquende.
Em sinal de devoção cristã e agradecimento, os bandeirantes erguem rústicas capelas em adobe e palha. Numa dessas construções, possivelmente a atual Capela de São João Batista, o Padre João de Faria Fialho celebra a primeira missa da região.
Novos aventureiros alcançam o eldorado. Entre 1708 e 1709, paulistas — os primeiros descobridores da região — se revoltam contra os forasteiros, em sua maioria portugueses, baianos e pernambucanos. A rivalidade entre os dois grupos e a preponderância administrativa dos paulistas, que fazem a distribuição de veios de ouro, culmina na Guerra dos Emboabas.
Liderados pelo comerciante português Manuel Nunes Viana, os forasteiros saem vitoriosos, tornando mais democrática a aventura do ouro.
Em 8 de julho de 1711, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho elevou o arraial a Vila: Vila Rica de Albuquerque, depois apenas Vila Rica.
Com o aumento da produção do ouro, ocorreu um grande crescimento estrutural e populacional e por um decreto de 24 de fevereiro de 1823, Vila Rica foi elevada a Cidade e Capital da Província de Minas Gerais, mudando seu nome para Ouro Preto e em 20 de Março do mesmo ano a Cidade Imperial.
PRINCIPAIS IGREJAS DE OURO PRETO:
Igreja de São Francisco de Assis
Construção iniciada em 1766, pela Ordem Terceira de São Francisco de Assis, a primeira ordem criada em Ouro Preto. Obra-prima de Aleijadinho, que assina o projeto e o risco da portada. Pinturas de Manuel da Costa Ataíde.
Matriz de Nossa Senhora do Pilar
Erguida em torno da capela dos primeiros anos do século XVII, sob invocação de Nossa Senhora do Pilar. Inaugurada em 1733, apesar de não estar concluída. Planta atribuída ao arquiteto Pedro Gomes Chaves.
Igreja das Mercês e Perdões (Mercês de Baixo)
Construção concluída em 1772. Reconstruída em meados do séc. XIX. Risco da primitiva capela-mor de Aleijadinho
Igreja de Santa Ifigênia (Nossa Senhora dos Pretos do Alto da Cruz)
Construção datada de 1720 a 1785. Diz a lenda que foi erigida por Chico Rei e sua tribo com o ouro tirado da mina da Encardideira. Talha de Francisco Lisboa.
Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias
Construção iniciada em 1727 e concluída em 1746, onde existia a capela de Nossa Senhora da Conceição construída por Antônio Dias, em 1699. Projeto e construção de Manoel Francisco Lisboa, pai do Aleijadinho, ambos ali sepultados.
Igreja do Senhor Bom Jesus de Matozinhos (São Miguel e Almas)
De livro aberto e rubricado por Tomás Antônio Gonzaga em 1785, sabe-se que a capela era dedicada aos Santíssimos Corações de Jesus, Maria, José, Senhor dos Matosinhos e São Miguel e Almas. Portada do Aleijadinho e pinturas de Ataíde.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário
A Igreja substituiu a antiga capela, datada de 1709, na qual, de 1731 a 1733. esteve guardado o Santíssimo Sacramento da Paróquia, quando na construção da Matriz de Nossa Senhora do Pilar. O traçado circular é ponto alto da arquitetura barroca mineira. Autoria da planta em ovais intersecantes desconhecida. Risco do frontispício e da empena atribuído a Manuel Francisco de Araújo.
OUTROS ATRATIVOS:
Parque Municipal da Cachoeira das Andorinhas
Trata-se de uma área rica em formações rochosas de rara beleza, destacando-se, como curiosidade, a «cabeça do jacaré». O nome do local se deve ao fato de que, no verão, um grande número de andorinhões-de-coleira migram para a região. A água, límpida e cristalina, flui entre rochas lentamente erodidas ao longo do tempo, em uma formação que se assemelha a uma gruta. No entorno das sucessivas quedas, encontram-se pequenos remansos propícios a um banho para aqueles que se dispuserem à submissão a temperaturas geralmente baixas.
O acesso de carro pode ser feito partindo da Praça Tiradentes através da rua Conselheiro Quintiliano (saída para Mariana). Ao passar pelas Lajes, tomar a primeira rua à esquerda, rua 15 de Agosto. O trecho final é uma estrada de terra.
O acesso a pé se faz também a partir da Praça Tiradentes. Ao lado da Escola de Minas, toma-se a Rua Henri Gorceix (conhecida como Rua Nova). Respire fundo e enfrente uma longa ladeira até o Morro de São Sebastião. No caminho, não deixe de parar no Mirante, a fim de vislumbrar uma belíssima vista geral da cidade. Do Morro de São Sebastião até a Cachoeira, o caminho é fácil.
Parque Estadual do Itacolomi
Situa-se na serra do Itacolomi, entre Ouro Preto e Mariana. Ampla vegetação, com predominância de candeias. No fundo dos vales, extensões da Mata Atlântica. O sistema hídrico constitui-se de inúmeros riachos que se somam e colaboram na formação do caudal do Rio Doce. Situa-se no Parque a Represa do Custódio, com cerca de 3km de extensão e 20m de profundidade. A fauna, mau grado os maus tratos, ainda abriga espécies raras, como o lobo-guará, a onça parda, o tamanduá-mirim e outras. Topograficamente, o destaque fica reservado para o Pico do Itacolomi, que na língua Tupi significa a pedra e o menino. Foi o ponto de referência dos primeiros bandeirantes que aqui chegaram a partir de 1694. Esse notável maciço rochoso, que bravamente resistiu à inexorável ação do tempo, pode ser visto também da estrada que liga Ouro Preto a Belo Horizonte, a partir do alto da Serra de Itabirito e de alguns pontos da estrada que liga Belo Horizonte ao Rio de Janeiro.
.
Estação Ecológica do Tripuí
Situa-se no vale do Ribeirão Tripuí, onde se encontraram as primeiras pepitas de ouro. O nome Tripuí, em Tupi, quer dizer água veloz .A estação foi implantada em 1978 para preservação do Peripatus Acacioi, um invertebrado raro, considerado um verdadeiro fóssil vivo. A fauna e a flora são ricas e variadas. Na região se encontram vestígios da antiga Estrada Real.
O acesso se faz a partir da Praça Tiradentes, tomando-se a estrada para Belo Horizonte até o trevo de Saramenha. Nesse trevo, entrar à esquerda e, cerca de 200m a 300m depois, seguir a estrada de terra à direita. Quem preferir, poderá também partir a pé da estação ferroviária de Ouro Preto e caminhar ao longo da linha férrea até o arraial do Tripuí.
Museu da Inconfidência
Está situado na Antiga Casa da Câmara e Cadeia, imponente obra de arquitetura localizada na Praça Tiradentes, tendo sua construção se estendido de 1784 a 1846. O museu foi inaugurado em 1944 e seu acervo reúne, além de documentos e objetos que evocam a Inconfidência Mineira, um amplo conjunto de obras de arte profana e sacra. Lá se encontram também os despojos dos inconfidentes. A foto ao lado mostra o Panteão onde repousam os seus restos mortais.O Museu recebe visitas de terça-feira a domingo, das 12h às 17h30min.
Museu da Prata
Esse museu, localizado na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, abriga um rico acervo de prataria e inúmeros objetos de arte sacra.Visitas de terça-feira a domingo, das 12h às 17h
Museu Aleijadinho
Está situado na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, no bairro de Antônio Dias. Abriga importante acervo de obras de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho e diversas peças outrora utilizadas em atos litúrgicos.
Aberto à visitação de terça-feira a domingo, das 8h às 11h30min e das 13h30min às 16h45min.
Aleijadinho - Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, nasceu por volta de 1738 (não existe documento oficial comprovando esta data).
Filho do arquiteto português Manoel Francisco Lisboa e de uma negra, escrava de sua propriedade, chamada Isabel. De personalidade forte e perseverante, teve noções de música e latim, aprendeu a ler, escrever, estudou desenho e arquitetura com os mestres da época. Em 1812 ficou totalmente paralítico e morreu pobre em 1814. Seu corpo está enterrado no interior da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição.
Herdou o apelido de Aleijadinho devido a uma doença misteriosa, popularmente conhecida na época como zamparina, que atacou seus membros, atrofiando-os. A mutilação não abalou suas forças; seus escravos prendiam os instrumentos em suas mãos.
A doença é implacável. Cada vez mais arredio, ele se esconde com a ajuda de seus leais escravos Maurício, Agostinho e Januário. Executa belas obras em Sabará e Congonhas do Campo, consagrando-se como o maior artista brasileiro do período colonial. .
Por volta de 1766 é contratado pela Ordem Franciscana de Assis para construir a Igreja de São Francisco de Assis, sua obra-prima, na qual consagra seu estilo rococó. Seu nome e sua fama correm entre os aristocratas e a corte real.
*************************************
|
|
|